As cáries podem ser genéticas?

Descubra de que forma é que a genética do Paciente pode influenciar o processo de formação deste problema.

Numa altura em que as boas práticas de higiene oral são amplamente divulgadas, a verdade é que as cáries continuam a ser uma realidade bastante presente na vida dos portugueses e uma das doenças não contagiosas mais comuns do mundo. Por vezes, este problema surge mesmo quando achamos que fazemos tudo o que está ao nosso alcance para ter uma saúde oral perfeita. Será possível que as diferenças genéticas tenham importância no processo de formação de uma cárie?

COMO SÃO FORMADAS AS CÁRIES?

A formação de cáries está associada à presença de bactérias na boca do Paciente e a uma higiene oral incorreta. De um modo geral, o processo pode ser entendido em 3 passos principais:

  1. Formação de placa bacteriana – Este é o primeiro passo para o aparecimento de cáries nos dentes. Na ausência de uma higiene oral adequada, com o passar do tempo, aparece uma camada amarelada junto da gengiva e nos dentes, formada por restos alimentares e bactérias.
  2. Libertação de ácidos e desgaste do esmalte – Uma vez formada esta placa, as bactérias dão continuidade ao processo. De um modo simples, alimentando-se dos açúcares dos alimentos, estes micro-organismos libertam um ácido que ataca os dentes e inicia a destruição do esmalte, levando ao aparecimento de cáries.
  3. Destruição progressiva do dente – Se não forem convenientemente tratadas desde o início, estas cáries podem ir desgastando cada vez mais o dente, levando à destruição total e a problemas agravados.

A GENÉTICA PODE INFLUENCIAR?

Efetivamente, a genética pode ter um efeito no aparecimento de cáries, mas a resposta é um pouco delicada. Recentemente, um estudo realizado por investigadores do Murdoch Children’s Research Institute (MCRI) revelou que, ainda que a componente genética do Paciente afete a composição do ecossistema oral, as bactérias recebidas hereditariamente não estão relacionadas com as cáries. No entanto, como vimos no processo de formação deste problema, as bactérias não são o único elemento necessário para que se desenvolva uma cárie: o esmalte também desempenha um papel extremamente importante.

Neste sentido, um outro estudo, realizado por um grupo de investigadores da Universidade de Zurique, conseguiu identificar um complexo de genes responsável pela formação do esmalte. Assim, mutações que afetem certas proteínas podem também alterar a estrutura da parte exterior do dente, facilitando o efeito das bactérias no dente e o aparecimento de cáries. Para além disso, uma predisposição genética para ter dentes desalinhados também acaba por contribuir para o desenvolvimento de cáries, uma vez que pode favorecer a acumulação de restos alimentares em zonas pouco acessíveis com a escova e o fio dentário, dificultando significativamente o processo de limpeza dos dentes.

Seja como for, ainda que possa haver uma eventual predisposição genética para o desenvolvimento de cáries, o desenvolvimento da Medicina Dentária faz com que, atualmente, este problema seja perfeitamente evitável.

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Para analisar o estado da sua boca e conhecer os cuidados de higiene que deve ter no seu caso em específico, consulte regularmente o seu médico dentista e esclareça todas as dúvidas que lhe possam surgir.

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